A carreira musical de Hebe Camargo: do baião ao rock in roll

Quis o destino que Hebe Camargo se tornasse conhecida como a “rainha da televisão brasileira”.

Mas a apresentadora recebeu muitos outros títulos ao longo da vida, como “perua rainha do século”, “dama da TV” e “moreninha brejeira do samba”.

Certamente a última alcunha pode lhe causar estranheza: como assim moreninha? E ainda mais do samba?

Moreninha é uma referência ao tom original dos cabelos de Hebe. Afinal, ela não nasceu loira. Ela se tornou.

Quanto ao samba, bem… A história é longa.

Hebe, a moreninha brejeira do samba

Hebe Maria Monteiro de Camargo nasceu em 8 de março de 1929, em uma família de Taubaté, no interior de São Paulo.

A precária situação financeira levou Hebe a perceber que teria que trabalhar desde cedo. Aos 12 anos, ela começou a arrumar a cozinha de uma casa de família. Mas o lado artista floresceu rapidamente. Logo vieram os programas de calouros. Além de mais lucrativos, Hebe levava jeito. Ela vencia todos.


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A vida de caloura durou até 1944, quando, aos 15 anos, chamou atenção da Rádio Difusora e assinou o primeiro contrato de trabalho.

Em conjunto com a Tupi, a Difusora formava a dupla de emissoras paulistas dos Diários Associados. Hebe não ganhava um salário alto. Mas era a quantia destinava às meninas que formavam o quarteto vocal na estação. Hebe cantava ao lado da irmã Stela e das primas Helena e Maria. Era o quarteto Dó-Ré-Mi-Fá.

Maria e depois Helena deixaram o trabalho para se casar. O quarteto virou duo. A Difusora estava precisando de uma dupla sertaneja para um programa caipira. E foi assim que Hebe e Stela se tornaram Rosalinda e Florisbela.

Hebe ao lado da irma Stela em 1940. A dupla representavam as caipiras Rosalinda e Florisbela.
(Foto: Arquivo Pessoal)

Hebe garantiu, até o fim da vida, que nunca ninguém soube, nem ela mesmo, quem era Rosalinda e quem era Florisbela.

A dupla não vingou, pois, para variar, Stela ficou noiva e abandonou os palcos. Hebe decidiu seguir carreira solo. A imprensa de fofoca já existia na época e ela se tornou notícia por namorados notórios.

Em 1946, foi contratada em 1946 pela Odeon e gravou o primeiro de 31 discos de 78 rotações.Não era tarefa fácil se firmar no mercado.

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As cantoras mais famosas trabalhavam no Rio de Janeiro, onde ficavam as principais gravadoras e a sede da Rádio Nacional.

Daí se explica a ideia de Hebe gravar um samba. O disco foi gravado em 1946 e recebeu até mesmo crítica de jornal, mas foi lançado somente em 1950, pouco tempo antes do segundo disco de Hebe, gravado especialmente para o carnaval.

Mas, a essa altura, Hebe começa a se envolver com o veículo que a popularizaria para todo o Brasil…

Hebe Camargo na TV Tupi ao lado de Ivon Cury, nos anos 1950.
(Foto: Reprodução)

Com vinte e poucos anos e conhecida como cantora, Hebe participou das primeiras transmissões da televisão brasileira em 1950. Depois disso, ela se tornou uma estrela da TV Tupi, pintou o cabelo de loiro e… o resto você já sabe.

A cantora Hebe Camargo: do baião ao rock in roll

Na década seguinte, Hebe lançou mais de trinta discos com músicas nos mais variados estilos, como baião, bolero, marcha, fado e até rock in roll.

Com o sucesso na televisão, ela se afastou do mercado fonográfico. Em 1966, lançou o último álbum antes de uma longa pausa.

 

Mas a música sempre teve espaço no sofá e no coração de Hebe. Diante das câmeras, ela protagonizou diversos números musicais e entrevistou grandes nomes da MPB.

Hebe Camargo em seu programa na TV.
(Foto: Reprodução)

O famoso selinho de Hebe Camargo, inclusive, teve origem em um programa em que Rita Lee surpreendeu a apresentadora com um beijo na boca.

E quando menos se esperava, mais de 30 anos depois do LP de 1966, Hebe lançou em 1998 o disco Pra você.

Em 2011, ela encerrou a discografia em um álbum com participação de Chico Buarque, Caetano Veloso, Nana Caymmi, Ivete Sangalo, Zeca Pagodinho, entre outros.


 


Quer conhecer o talento musical de Hebe? Eu separei 7 músicas irresistíveis da moreninha brejeira do samba para você ouvir. Dá um clique aí no play!

1. Meu Samba Virou Você (1964)

 

2. Encontro à tarde (1964)

 

3. Prelúdio Pra Ninar Gente Grande (1960)

 

4. Queria (1965)

 

5. Andorinha Preta (1965)

 

6. Nada Além (1998)

 

7. Você Não Sabe (2009)

 

Você também pode escutar Hebe Camargo no Spotify.

 

 

 

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