Legião Urbana posa para divulgação de Dois

Legião Urbana: clássico “Dois” completa 34 anos

Eduardo Maia

Ano de suma importância para o rock brasileiro, 1986 foi marcado pelos lançamentos de Rádio Pirata Ao Vivo (RPM), Cabeça Dinossauro (Titãs), Longe Demais das Capitais (Engenheiros do Hawaii), Selvagem (Paralamas do Sucesso) e, claro, Dois, da Legião Urbana. 34 anos que, de acordo com a revista Rolling Stone, um dos melhores discos do rock nacional chegava às prateleiras das lojas por todo o país. Depois de sacudir a poeira no recém redemocratizado Brasil em 1985 com seu primeiro álbum, a Legião voltava. Um ano depois, lançava o inspirado Dois, para provar de uma vez por todas que viera para ficar.

Contexto

Um dos maiores desafios dos artistas, principalmente em tempos que as músicas certamente eram mais importantes do que a maneira que eles se vestiam, era lançar o segundo disco. Era na segunda obra que as pessoas julgavam se o artista iria ou não seguir carreira. Repetir o sucesso do disco antecessor, que trazia Ainda é Cedo, Geração Coca-Cola, Soldados, Será, Por Enquanto e que já havia vendido cerca de 100 mil cópias parecia ser impossível. Mas, no vocabulário de Legião Urbana, nada era impossível.

O sonho de Renato Russo, letrista do grupo, era lançar um álbum duplo. Na verdade, esse foi um dos sonhos do cantor até o fim precoce da banda, em 1996. Dois era pra ser chamado de Mitologia e Intuição. A ideia era lançar em dois LP´s. Contudo, devido ao Plano Cruzado, instituído pelo então Presidente José Sarney, os planos de um disco duplo foram novamente postergados. Segundo os integrantes da Legião Urbana, as pessoas não teriam dinheiro para comprar dois discos de uma vez.

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Legião Urbana posa para foto em 1986
Legião Urbana – Renato Russo, Renato Rocha, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá

Novamente encarregado da produção do álbum, Mayrton Bahia se encarregou de guiar os jovens músicos nos estúdios da EMI-ODEON. Inclusive, Bahia acreditava que a faixa Eduardo e Mônica poderia ter alguma dificuldade para cair no gosto popular, já que a canção não contava com um refrão. Ledo engano.

Legião tinha versatilidade

Com Dois, Renato demonstrou ser um letrista ainda mais versátil. Não que o álbum não tenha também o objetivo de protestar contra os absurdos da época — Fábrica é a prova disso — mas, em contrapartida, Russo e o restante da Legião Urbana queria demonstrar outro lado. Coisas boas também aconteciam por aqui. A leveza de Eduardo e Mônica e Quase Sem Querer somada a profundidade de Andrea Doria, Tempo Perdido e Acrilic on Canvas era, também, a prova disso.

Depois do lançamento, para um determinado veículo da imprensa, Renato declarou:

Ao passo que estamos nos distanciando do referencial externo – governo, política, estado, poluição – neste segundo a gente está superinteriorizando. Não temos mais músicas como ‘Soldados’ e ‘O Reggae’, porque a gente já falou daquilo ali. Não vou ficar a vida inteira falando da escola, agora estamos falando do relacionamento emocional e afetivo das pessoas. No primeiro disco, a gente teve que bater na porta com muita força. Com o segundo, a gente pode falar as coisas sem precisar ficar gritando, porque a porta já está aberta.

Vendagem

É o disco que fez com que toda uma geração se identificasse de vez com o rock nacional. Não que o rock brasileiro tenha nascido em 1986. Longe disso. Mas, antes desse ano, faltava alguma peça fundamental para que o gênero voltasse ao mainstream. Não deu outra. Dois, da Legião Urbana, vendeu mais de 900 mil cópias.

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Legião Urbana recebe disco de ouro por vendas de "Dois"
Legião Urbana recebe disco de ouro por vendas de “Dois” – Reprodução

Eu poderia ficar horas falando sobre cada clássico de Dois. Óbvio que não vou fazer isso. Levanta daí e vai comprar sua cópia em alguma loja física! Tudo bem… sei que as questões econômicas continuam tão ruins como em 1986 com o Plano Cruzado. Ouça no volume máximo abaixo, de graça!

Curiosidade da Legião

Ah, antes de terminar, sabia que uma versão EXCLUSIVA de Química, música que só viria a ser lançada no álbum seguinte da Legião Urbana, Que País é Este (1987), foi lançada na versão em K7 do Dois? pois é. Era uma forma de incentivar o pessoal a comprar a fita do disco. Bacana, né? hoje, quando existe alguma música bônus, ela entra direto pelas plataformas de streaming. Acabaram com a magia da coisa toda!

Confira a versão de Química do disco Dois. Muito punk! O rock salva!

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