Tom Jobim, o grande mestre da Bossa Nova e de muitas parcerias musicais

Pedro Henrique Bacalhau

Tom Jobim, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, ou apenas Tom. Tom Jobim, foi um músico, maestro, compositor, arranjador, violonista e também o maior expoente do movimento da Bossa Nova, sendo o artista que deu a maior força para a criação do movimento e também o mais influente da música popular brasileira. Carioca do bairro da Tijuca, Jobim começou suas inspirações musicais a partir de ressentimentos da ausência de seus pais durante a adolescência, e assim começou a transferir as suas emoções para as suas composições, impondo assim uma espécie de “romantismo melódico”. 

Uma breve história de sua trajetória

Aprendeu a tocar violão e piano em aulas, sendo mais tarde, ensinado pelo professor alemão Hans Koellreutter. Tom Jobim, começou a cursar Arquitetura, mas com um ano de faculdade, logo desistiu e resolveu se dedicar ao piano e tocava em bares como Drink, Bambu Bar, Arpège, Sacha’s, Monte Carlo, Night and Day, Casablanca, Tasca e Alcazar e boates em Copacabana na década de 1950, sendo assim, contratado pela gravadora Continental no ano de 1952, quando começou a trabalhar em parceria com Sávio Silveira. Jobim, além das parcerias, fez também o trabalho de transcritor de melodias para aqueles artistas que não tinham domínio algum da escrita musical, e nessa época nasce a primeira composição intitulada de “Incerteza” na parceria de Jobim com Newton Mendonça e Mauricy Moura.

 

Os anos 50 e as parcerias de Jobim, que foram de Dolores Duran à Elizeth Cardoso

Até o final dos anos 1950, Tom Jobim passou por mais uma gravadora, a Odeon e a partir dali, inicia-se a ascensão da sua carreira. Em sua trajetória, fez parceria com Dolores Duran, Dick Farney, Lúcio Alves, Ernani Filho, que gravou a canção “Faz uma Semana Pensando em Você” no ano de 1953, compôs músicas para a peça Orfeu da Conceição em parceria com Vinicius de Moraes, e depois para dois filmes que foram dirigidos por Marcel Camus, juntamente com Luiz Bonfá e Antônio Maria. Já no fim da década de 1950, em 1958 lançou o LP “Se Todos Fossem Iguais a Você”, em parceria novamente com Vinicius e na voz de Elizeth Cardoso, e acompanhado pelo violão do até então desconhecido, João Gilberto. Os arranjos e a orquestração deste LP, gera então, um marco para o movimento da Bossa Nova, por conta de sua originalidade melódica e também no mesmo ano, lança a música que daria o pontapé inicial no movimento da Bossa Nova, “Chega de Saudade”, novamente em colaboração com Vinicius de Moraes.

Anos 60, ascensão da Bossa Nova, Garota de Ipanema e as primeiras composições de trilha sonora

No ano de 1962, gravou uma das músicas mais gravadas em todo o mundo: “Garota de Ipanema”, e com isso, realizou um show em um restaurante de Copacabana com João Gilberto, Vinicius, o grupo Os Cariocas e também junto com Otávio Bailly no baixo e o baterista Milton Banana, onde tocaram além de Garota de Ipanema, tocaram Samba do Avião, e Só Danço Samba, que foram ouvidas pela primeira vez a público. Jobim também ganhou prêmios internacionais, da Recording Academy no mesmo ano com João Gilberto, e além disso, foi pela primeira vez aos EUA onde participou de um evento de artistas brasileiros no Carnegie Hall, em NY. 5 anos depois, em 1967, faz parceria com Frank Sinatra, onde compuseram o LP “Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim”  e compôs trilha para o filme Garota de Ipanema, com direção de Leon Hirszman e no ano de 1968, venceu o III FIC (Festival Internacional da Canção), com a canção “Sabiá” acompanhado de Chico Buarque.

 

Anos 70 e 80, a parceria com Eumir Deodato, a composição Águas de Março com Elis Regina e a continuidade na composição de trilhas sonoras.

Já no ano de 1970, o pianista Eumir Deodato passa a ser mais um dos parceiros de Jobim. Os dois, lançaram um LP intitulado “Stone Flower”, e que Deodato e Jobim no ano seguinte fizeram os arranjos do LP de Sinatra intitulado “Sinatra & Cia”, que continha cinco músicas autorais da parceria dos dois. Mas o momento mais marcante da carreira de Tom Jobim, foi no ano de 1974, com a música Águas de Março lançada dois anos antes, mas nesse ano de 1974 ela foi duetada com Elis Regina no disco Elis & Tom, gravado nos EUA. Ao longo da década de 1970, Jobim teve uma vida muito movimentada quanto às suas parcerias musicais e recebendo prêmios, como as três vezes que ganhou o prêmio da BMI (Broadcast Music Inc.) com Garota de Ipanema na versão em inglês, Meditação e Desafinado. Já na década de 1980, deu continuidade às suas contribuições de composição de trilhas sonoras, como foi o caso de Luiza, que no ano de 1981, foi trilha tema da novela Brilhante da Rede Globo de Televisão.

 

As nomeações acadêmicas de Jobim nos anos 90 e a sua partida

A vida de Jobim, nos anos 90, mudou um pouco o rumo. Tornou-se membro da Academia Nacional da Música Popular Americana, além de ter sido nomeado reitor e depois o presidente do Conselho Diretor da Universidade Livre de Mùsica, de São Paulo. Além disso, Jobim foi nomeado Honoris Causa da Universidade de Lisboa e também na UERJ. Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, ou apenas Tom Jobim, faleceu no ano de 1994, aos 67 anos e nos deixou um legado enorme na história da música brasileira, de ter dado o pontapé inicial no movimento mais representativo da música brasileira, a Bossa Nova e também de suas canções que até hoje está na memória do brasileiro.

Abaixo, uma das grandes canções de Tom Jobim, “Luiza”, do álbum “Passarim” de 1987.

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