Bandolinista, compositor e digno de reconhecimento, assim é Joel Nascimento.

Pedro Henrique Bacalhau

Joel do Nascimento, ou simplesmente Joel Nascimento, é bandolinista, compositor, e multi-instrumentista. O carioca, hoje com 83 anos, nasceu no bairro da Penha Circular e começou a se interessar pela música quando tinha 10 anos de idade, começando pelo piano, sendo que logo depois mudou para os instrumentos de corda, iniciando-se pelo cavaquinho. Estudou teoria musical com o professor húngaro, Ian Guest. Mas além da música, Joel já foi funcionário da antiga companhia aérea Panair do Brasil, trabalhou no INPS e também se formou em técnico em Radiologia, trabalhando no Hospital das Clínicas Pedro Ernesto, na capital carioca.

Os Primeiros Anos da carreira de Joel Nascimento

Nos anos 50, Joel ao se iniciar no meio musical, fundou o seu primeiro grupo chamado Joel e Seu Ritmo atuando em bailes, tocando acordeon, piano e cavaquinho. Já no ano de 1954, Joel teve seu primeiro contato com um dos precursores do choro, o bandolinista Jacob do Bandolim. Após um hiato na época de sua juventude na música, devido a perda total da audição de seu ouvido direito, Joel retornou ao meio musical no ano de 1968, graças a seu irmão Joyr, que na época era violonista e dono do bar Sovaco da Cobra (um dos principais redutos do choro do Rio de Janeiro na época) e no ano seguinte, ganhou seu primeiro bandolim.

Os encontros e parcerias de Joel nos anos 70

A carreira de Joel Nascimento é marcada por grandes encontros e parcerias musicais por onde passa. No ano de 1973, Joel Nascimento é apresentado ao compositor e pianista Radamés Gnatalli, ao tocar para ele a canção “Retratos” de autoria de Radamés. Já no ano de 1974, Joel entra em estúdio pela primeira vez, para poder gravar o LP “A Música de Donga” junto com a filha do mesmo, Lygia Santos e junto de grandes nomes do choro como o flautista Altamiro Carrilho, Elizeth Cardoso, Dino, Meira, Leci Brandão, Jorginho do Pandeiro e muitos outros, além do próprio Donga que esteve presente em algumas faixas. No mesmo ano, foi convidado pelo cantor João Nogueira para poder participar do disco “E Lá Vou Eu”, nas faixas “Braço de Boneca” e De Rosas e Coisas”. Em 1976, lançou seu primeiro disco solo, pela gravadora Odeon, intitulado “Chorando Pelos Dedos”, produzido também por João Nogueira e nele, também foi incluso o choro “Ecos”, um dos maiores sucessos deste LP, que também posteriormente iria ganhar letra de Paulo César Pinheiro e seria gravada pela cantora Clara Nunes, mas não chegou a acontecer. No ano seguinte, em 1977, Joel ganhou o “Prêmio Playboy” de “Melhor Instrumentista de Cordas” e neste mesmo ano, ao lado de grandes artistas do choro como Waldir Azevedo, Paulo Moura e Zé da Velha apresentou o show Choro na Praça no Teatro João Caetano, e também se apresentou no espetáculo “Onde o Rio é Mais Carioca”, ao lado de Beth Carvalho, João Nogueira e Sérgio Cabral.

Os anos de Camerata Carioca e a carreira internacional de Joel

Já na década de 80, em 1982, Joel integrando o grupo Camerata Carioca, lança o disco “Vivaldi & Pixinguinha”, através de um projeto da FUNARTE que contou com a participação de Radamés Gnatalli e Henrique Cazes. No LP, foram incluídas faixas como Um a Zero, Carinhoso, Vou Vivendo e Ingênuo, todas de autoria de Pixinguinha. No mesmo ano, Joel Nascimento, fez sua apresentação internacional ao lado do pianista Arthur Moreira Lima e o violonista Raphael Rabello, no Lincoln Center Alice-Fully, em Nova York. No ano seguinte, 1983, Joel Nascimento ainda integrando o Camerata Carioca e como solista, lança o LP “Tocar”, e também com o Camerata, acompanhou gravações de Nara Leão, Zezé Gonzaga e Elizeth Cardoso. Apresentou em vários shows solo, em eventos internacionais e esteve em turnês em vários países como Alemanha, Suíça, França, Áustria, Portugal, Argentina, Japão e Guiana Francesa, e também participando do Festival de Câmara de Novo México, nos EUA. No ano de 1987, Joel lança o álbum “Chorando de Verdade” sendo esse, indo apenas para o mercado japonês, onde teve a participação do cavaquinista japonês, Mitsuru Inoue., mas o disco só foi lançado no Brasil anos depois.


As homenagens à Joel Nascimento ao longo de sua carreira

Além de composições, Joel Nascimento é um artista digno de homenagens. Em 2000 foi homenageado com troféu na 8ª Oficina de Música Popular Brasileira na Fundação Cultural de Curitiba Em 2002, é um dos homenageados do evento “Choro no SESC”, ao lado de Paulo Moura e Odete Ernst Dias, de produção de Marcos Souza. Em 2007, em seu aniversário de 70 anos, Joel tocou em um show comemorativo, no Centro Cultural Carioca, onde além de Joel, estiveram presentes grandes nomes do choro, como o também bandolinista Hamilton de Holanda, Henrique Cazes, a cantora Beth Carvalho, Sérgio Cabral, Rogério Caetano e Luiz Otávio Braga. Ganhou também no ano de 2011, o diploma Ademilde Fonseca de Mérito no Choro homenageado pelo grupo Arruma o Coreto, na Praça São Salvador, no Rio de Janeiro.

Joel Nascimento e o seu reconhecimento além dos palcos

Além de músico, compositor, Joel também tem reconhecimento fora do meio artístico devido ao seu talento no Bandolim. Ele ministrou os cursos de extensão universitária de Prática de Conjunto e Bandolim na Oficina de Música de Curitiba entre os anos de 1995 e 1996, 1998 e 1999 e também em 2004. Em 1997, Joel participou do 19º Curso Internacional de Verão, ministrado pela Escola de Música de Brasília (EBC), como professor do Curso de Bandolim e a Oficina de Choro, de 1996 até 2007. No ano de 2010, é convidado para ministrar a aula inaugural no curso de bacharelado em Bandolim na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

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