Perfeccionista e autor de grandes composições, esse era Jacob do Bandolim

Pedro Henrique Bacalhau

Jacob Pick Bittencourt, ou simplesmente Jacob do Bandolim, foi músico, compositor e bandolinista de choro. Jacob era filho do capixaba Francisco Gomes Bittencourt e da judia polonesa, Rackel Pick, e morou no bairro das Laranjeiras, na capital carioca. Jacob do Bandolim, despertou interesse pela música por volta dos 12 anos de idade, época em que tocava gaita para os colegas da escola. Mas seu primeiro instrumento não foi o bandolim, mas sim um violino, que pediu à mãe, depois de ter ouvido um vizinho francês que também tocava o instrumento, mas Jacob não se adaptou e não tocava com o arco, mas sim com o auxílio de grampos de cabelo, que foi aí que a amiga de Rackel Pick a explicou que existia um instrumento que tocava daquela forma que Jacob tocava o violino, o apresentando o bandolim.

 

Um pouco do início da sua carreira

Nos primeiros anos da década de 1930, Jacob fazia apenas algumas apresentações amadoras, quando no a partir do ano de 1933, fez a sua primeira apresentação em um programa, chamado “Hora do Amador Untisal”, por insistência de seus amigos. No ano seguinte, se apresentou tocando violão no programa “Horas Luso-Brasileiras”, na Rádio Educadora. No mesmo ano, o flautista Benedito Lacerda, o convidou para poder participar do “Programa dos Novos – Grande Concurso dos Novos Artistas”, na Rádio Guanabara executando o choro “Segura Ele”, do saxofonista Pixinguinha, sendo essa a sua primeira grande chance. E nessa ocasião, o apresentador do programa, Eratóstenes Frazão, batizou o grupo que Jacob tocou acompanhado, de “Jacob e Sua Gente”, recebendo então a nota máxima entre os jurados do programa (entre eles, o próprio Benedito Lacerda), conquistando assim o primeiro lugar entre os vinte e sete concorrentes. Jacob como intérprete, havia algumas peculiaridades na sua forma de tocar como por exemplo, ele tinha estilo, tocava de forma fraseada, fazendo um toque totalmente personalizado, mas que havia um caderno com um repertório trivial, que contava com 329 títulos, além de ser um músico muito exigente e muito perfeccionista.

 

Os primeiros anos de Jacob do Bandolim na sua carreira musical e suas primeiras composições


Depois de ter feito parte de várias apresentações em rádios na década de 1930, como a Rádio Guanabara e Mayrink Veiga e Rádio Mauá (antiga Rádio Ipanema). Em 1941, Jacob abriu com o seu bandolim, a gravação da música Amélia, de Ataulfo Alves e Mário Lago. No ano de 1942, Jacob passa a integrar o conjunto da Rádio Mauá, sob a direção de Mário Silva, atuando ao lado de músicos como César Faria e Claudionor Cruz nos violões, Léo Cardoso no afoxé  e Candinho na bateria, executando músicas dos mais renomados músicos da época, como Anacleto de Medeiros, João Pernambuco, Sátiro Bilhar e Zequinha de Abreu, e foi na própria Rádio Mauá, que posteriormente, Jacob do Bandolim, ganhou um programa só seu. Em 1947, o bandolinista grava o seu primeiro disco sob o selo Continental, com o choro de sua autoria, o “Treme-Treme”, e a valsa Glória de Bonfiglio Oliveira. No ano seguinte, 1948, lança então a valsa de sua autoria, chamada “Salões Imperiais” e o choro “Flamengo” também de Bonfiglio de Oliveira. No mesmo ano, lança mais uma valsa, intitulada “Feia” e mais um choro autoral, “Remelexo” e em 1949, lança a “Cabuloso”, e a valsa “Flor Amorosa”, e também se transferindo para  gravadora RCA-Victor, onde Jacob ficara até o fim de sua vida.

Anos 50, os seus trabalhos nas rádios e a construção do que seria o seu grande legado na música

Na década de 1950, entre 1950 e 1955, grava os choros “Pé de Moleque”, de sua autoria, “Numa Seresta”, de Luiz Americano, e “Teu Aniversário” de Pixinguinha. Gravou também “Doce de Coco”, em 1951, um dos grandes sucessos que faz parte das rodas de choro até os dias de hoje. Em 1952, lançou uma série de quatro discos tocando somente as obras de Ernesto Nazareth, entre eles Odeon e Turbilhão de Beijos, além de muitas outras gravações como Saxofone, Porque Choras, gravada em 1953. De 1955 a 1959, Jacob trabalha na Rádio Nacional. Seu destaque nessa emissora, contudo, é como produtor e apresentador do seu próprio programa, intitulado Jacob e Seus Discos de Ouro, no qual mostra aos ouvintes discos raros de seu próprio acervo. Em 1955, preocupado com o futuro do choro, Jacob então organizara a “Noite do Choro”, realizada pela TV Record paulista, no qual neste evento participaram mais de 133 músicos. No mesmo ano, grava o clássico choro de Pixinguinha, “Um a Zero”. O arranjador e pianista Radamés Gnatalli, compõe então para Jacob do Bandolim, a suíte “Retratos”, composta para bandolim e acompanhamento específico para orquestra, no ano de 1956, homenageando Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Anacleto de Medeiros. 

 

Metade da década de 50 e os últimos anos de vida de Jacob

Ainda no ano de 1956, Jacob lança a polca Tira Poeira, o ponteado De Limeira a Mossoró e o choro Diabinho Maluco e também André de Sapato Novo, os dois ainda até os dias de hoje muito presentes nas rodas de choro de todo o país. Em 1957, grava pela RCA/Victor, 5 álbuns, até o ano de 1967. Em 1968, faz show com o seu grupo, chamado Època de Ouro, Zimbo Trio e Elizeth Cardoso no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Ainda em 1968, quando Jacob do Bandolim recebeu o título de Comendador da Ordem da Bossa, no Teatro Casa Grande depois de se exibir para um público de jovens que lotava a casa, sofreu um primeiro infarte. Em 1969,  veio a falecer vitimado por um ataque cardíaco, tendo sido seu corpo velado no salão nobre do Museu da Imagem e do Som.

 

O jeito exclusivo de Jacob do Bandolim

Jacob apesar das suas peculiaridades e exclusividades ao tocar seu bandolim, muito exigente até, apesar de já falecido, até hoje é um dos artistas mais influentes no cenário musical brasileiro. Jacob tinha um modo particular em tocar o bandolim, desde o estilo de interpretar os choros até a forma de dar a palhetada nas cordas, dando um estilo assim, único na forma de tocar, além de poder fazer fraseados na substituição da flauta no conjunto de choro dando o contracanto com o violão base. O seu repertório é consistido em maioria, choros, correspondendo assim 57 das suas 103 composições, variando entre sambas, polcas e valsas.

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